Vida e Poesia de Olavo Bilac

"A obra, que custou muita pesquisa, apresenta dezanas de fatos inéditos e inúmeras poesias do sonetista da 'Via-Lactea', que ainda
não foram publicadas em livros. Fernando Jorge divulga pela primeira
vez, de maneira que se poderá considerar completa, a história do grande amor de Bilac por Amélia de Oliveira."

Folha de S. Paulo

"Fernando Jorge acaba de realizar um livro sensacional: uma radiografia de Bilac, focaliza aspectos inéditos e surpreendentes da vida íntima do
poeta."

Nestor Holanda, Diário de Notícias, Rio de Janeiro

Olavo quinta
capa livro olavo

VIDA E POESIA DE OLAVO BILAC, Fernando Jorge, Ed. Novo Século, 5ª. ed, 2007, 348 p.

Resenha escrita por Cristian Luis Hruschka

“Bendito aquele que é forte,

E desconhece o rancor,
E, em vez de servir a morte,
Ama a Vida, e serve o Amor!”
(“O Rio”, Olavo Bilac)

Fernando Jorge, escritor e jornalista, nos maravilha com sua minuciosa e exaustiva pesquisa sobre o poeta Olavo Bilac. Num livro ricamente ilustrado e com detalhes precisos da vida cotidiana do poeta, apresenta-nos um delicioso relato da vida cultural brasileira no final do século XVIII e início do século XIX.
OLAVO Brás Martins dos Guimarães BILAC, nasceu em 16 de dezembro de 1865, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Seu pai, Dr. Brás, médico, defendia o pátria na então Guerra do Paraguai, iniciada por Solano Lopez, que aspirava tornar-se o “Imperador do Prata”. Foi derrotado pela “Tríplice Aliança”, formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai, que praticamente reduziu à pó o país vizinho.
Contrário a vontade do pai, Olavo pretendia tornar-se advogado, seguir carreira diplomática e correr o mundo. Dr. Brás, no entanto, era impetuoso. Tendo Bilac terminado com antecedência os estudos preparatórios, conseguiu junto a D. Pedro II a expedição de um decreto (n. 2.956, de 03.08.1880), autorizando o governo a matricular o poeta na faculdade de medicina do Rio de Janeiro, dispensando-o do requisito da “idade legal”.
Olavo Bilac, porém, a cada dia se descontentava mais do curso de medicina, preferia as lides literárias e passou a ser freqüentador assíduo da Rua do Ovidor, de seus botequins e sua boemia. Certa madrugada, na companhia do amigo Paula Nei, ao chegar em casa é expulso por seu pai, que o vê como um vagabundo, rodeado de más companhias. Daí por diante não se falam mais, sendo que Bilac passa a manter contatos esporádicos apenas com sua mãe, D. Delfina.
Por sorte seu genitor estava enganado e Bilac não se deixou vencer pelo tratamento que lhe foi dispensado. Fernando Jorge, nesse particular, é primoroso em apresentar ao leitor a exata situação política e social da época. Bilac não poderia ter mais sorte e melhor companhia. Viveu o período da abolição da escravidão, onde atuou na companhia de José do Patrocínio e Joaquim Nabuco. Acompanhou a transição da monarquia para a república e já em 1886 se mostrava um dos expoentes da nova geração literária, acompanhado de Raul Pompéia, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira. Foi apresentado a Machado de Assis, considerado “o primeiro dos nossos prosadores”. Tornou-se amigo de Aluízio de Azevedo e conheceu em Paris o respeitado escritor português Eça de Queiroz. Era colega de Afonso Arinos, Humberto de Campos, Afrânio Peixoto, Martins Fontes e João do Rio, sendo contemporâneo de Rui Barbosa, Cruz e Sousa, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva e Gilberto Amado.
Como se percebe, o meio em que Bilac viveu era propício para o crescimento intelectual e literário, estando ladeado o poeta por grandes nomes da história nacional.
A poesia de Bilac se tornava cada vez mais respeitada e admirada pelos seus leitores. O soneto “Ouvir Estrelas” logo de se popularizou e o amor era um tema constante em seus versos. Apaixona-se, então, por Amélia de Oliveira, irmã de seu preclaro amigo Alberto. Mesmo enamorados, Bilac resolve partir para São Paulo, pretendendo graduar-se em direito, visto que há tempos havia abdicado do curso de medicina. No entanto, sem colar grau, retorna à corte em 1888 com o propósito de consumar seu noivado com Amélia (a saudade da vida boêmia e de seus amigos também era grande). Entrementes, seu intuito não logra êxito, permanecendo Bilac no celibato até o final de seus dias. O amor, no entanto, mantêm-se como tema recorrente em sua poesia, conforme podemos verificar em “Beijo Eterno”:

Olavo quinta contra capa