Escritor e Jornalista

Fernando Jorge

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Obras de Fernando Jorge

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Por Bernardo Schmidt

Se não fosse o Brasil... "O Caroço"

Tardes com Fernando Jorge por Bernardo Schmidt

Fernando, Lino de Mattos

do Fernando Jorge

Vida e obra do plagiário

Paulo Francis

Água da Fonte e Sandalias mf Leia mais sobre a Mult-Fer blogger-logo-small Academia barack baixa Cale-a-boca-jornalista capa livro 7 capa livro olavo capa_hitler_tirania Francis Geraldao Getulio Grande Lider Lutero nova capa do livro O Aleijadinho Olavo quinta Paulo Setubal 9788576791249

Drummond e o Elefante Geraldão

Editora: Novo Século

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+ Drummond Compre o Livro

Vida e Poesia de Olavo Bilac - 5ª Ed.

Editora: Novo Século

Sinopse

A obra, que custou muita pesquisa, apresenta dezenas de fatos inéditos e inúmeras poesias do sonetista da 'Via-Lactea', que ainda não foram publicadas em livros.

+ Olavo Bilac Compre o Livro autografado

Se Não Fosse o Brasil, Jamais Barack Obama Teria Nascido

Editora: Novo Século

Sinopse

Em janeiro de 2009, Barack Hussein Obama II tornou-se o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América, país onde o preconceito racial sempre foi mais virulento que em qualquer outro sob o sol.

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As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont

Editora: Geração Editorial

Sinopse

Este trabalho sobre Santos Dumont é um estudo primoroso, apresentando uma documentação inédita e rica, colhida nos jornais da época, tanto franceses como brasileiros.

+ Paulo Setubal

Vida, Obra e Época de Paulo Setúbal - Um Homem de Alma Ardente

Editora: Geração Editorial

Sinopse

Este livro conta a vida e a obra de Paulo Setúbal, mestre do romance histórico, campeão de vendas nos anos 20 e 30 do século passado, com a marca de meio milhão de exemplares vendidos em apenas dez anos.

+ O Aleijadinho

O Aleijadinho - Sua Vida , Sua Obra , Sua Época , seu Gênio

Editora: Wmf Martins Fontes

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O livro de Fernando Jorge sobre o Aleijadinho, que chega à 7ª edição, além de ser ricamente informativo, essencial para quem deseja se aprofundar no conhecimento da nossa arte barroca...

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Lutero e a Igreja do Pecado

Editora: Novo Século

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Obcecado pelo Diabo, Lutero o associou à Igreja Católica do seu tempo, da qual esse alemão era membro, monge agostiniano, passando a ver nela a Igreja de Satanás.

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Hitler - Retrato de Uma Tirania

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"pode ser considerado, com justiça, o maior livro que apareceu, nestes últimos tempos, sobre o homem monstruoso que desencadeou, no mundo, a Segunda Grande Guerra"

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Cale a Boca , Jornalista!

Editora: Novo Século

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Durante toda a história da imprensa no Brasil foram muitos os momentos em que os vários chefes do executivo deste país tiveram uma relação agressiva e rude com os profissionais da imprensa.

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O Grande Líder

Editora: Geração Editorial

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Obra impressionante, sátira mordaz da história política brasileira de 1910 até o golpe de 1964. Você nunca esquecerá Piranha da Fonseca Albuquerque, um dos personagens mais emblemáticos da literatura brasileira.

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A Academia de Fardão e da Confusão

Editora: Geração Editorial

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Mais um livro polêmico e demolidor de Fernando Jorge. Aqui, ele reconta, com impressionante riqueza de detalhes - todos, como sempre, rigorosamente documentados - a história da Academia Brasileira de Letras...

Vida e Obra do Plagiario Paulo Francis

Editora: Geração Editorial

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Para Paulo Francis, que foi um dos mais conceituados e temidos jornalistas do Brasil, Lula é um jumento. Roberto Marinho, além de "preto", é "um homem-porcaria".

+ Paulo Francis

Getulio Vargas e o seu Tempo - Vol 1 e 2

Editora: T.A. QUEIROZ EDITOR

Sinopse

Excelente biografia de um dos mais populares Presidentes do Brasil.

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4ª EDIÇÃO QUASE NO FIM!

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DO MERCADO LIVRE

por Marco Antonio Azkoul

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do Fernando Jorge

O senador José Sarney afirma que as estrelas são vacas!

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A energia de O Trem, a sua potente locomotiva, dirigida pelo seguro maquinista Marcos Caldeira Mendonça, é impressionante, causa-me um espanto agradável, pois recebo no meu e-mail (fernandojorge88@terra.com.br) dezenas de mensagens. E agora, devido ao lançamento da quarta edição da minha catilinária Vida e obra do plagiário Paulo Francis, já quase esgotada, inúmeros leitores de O Trem me perguntam se o Francis foi realmente racista.

Era sim, provei no referido livro, ele odiava os negros, os nordestinos. Negar o seu preconceito é como negar o sadismo, as atrocidades, os crimes do major Carlos Brilhante Ustra (1932-2015), comandante do DOI-CODI paulista, entre os anos de 1970 e 1974, no governo do ditador Médici. Indiscutível, Ustra é o único brasileiro que a nossa Justiça classificou de torturador, da época do regime militar. Sob a direção desse homem sinistro, tão admirado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), os gorilas fardados do Golpe de 1964 submetiam as suas vítimas a choques elétricos, espancamentos e afogamentos. Segundo os cálculos da Comissão Nacional da Verdade, o centro de torturas do major Ustra, batizado por ele de “Sucursal do Inferno”, causou a morte de quinhentas e duas pessoas.

Enxergo no sadismo de Ustra e no racismo de Francis, dois irmãos gêmeos. Para mim, aliás, sadismo e racismo correspondem a nazismo.

Desafio o Nelson de Sá, organizador de livros contendo os textos medíocres, tediosos, soporíferos e repletos de erros do chatíssimo Paulo Francis, a sustentar: ele não procedia como um empedernido racista.

Prova irrefutável do racismo do Francis é o seu texto na edição do dia 20 de janeiro de 1991, do jornal O Estado de S. Paulo, onde revela que corria risco de vida, “ao deparar com a humanidade baiana das ruas de São Paulo”, isto é, ele via como assassinos, criminosos, todos os naturais do estado natal de Maria Bethânia!

Ainda em 1991, na edição de 10 de novembro do mesmo periódico, apareceu este nojo, este desprezo pelos negros, do desaforado racista: “... gente diferente de nós, que podemos rotular, sem eufemismo, de negrada...” Ora, segundo os bons dicionários da língua portuguesa, negrada é um pejorativo, vocábulo de sentido torpe, indica conjunto de negros, grupo de indivíduos de cor, dados a desordens, a violências...

Nelson de Sá, leia em voz alta, ma-ra-vi-lha-do, as seguintes palavras do Francis, publicadas na edição do dia 8 de dezembro de 1991 de O Estado de S. Paulo:

“Quando vejo um grupo de negros na rua e eles adoram fazer ponto em calçadas, tenho medo. Fico pensando se me agredirem, se corro, se dou um pontapé nos países baixos dos mais próximos. Todo branco pensa as mesmas coisas.”

Parabéns, Nelson de Sá, continue a enaltecer o Francis, teça um hino aos seus sentimentos sublimes, beije extasiado os bestialógicos do racista, coloque-os num tabernáculo, como textos sagrados de um profeta bíblico, e prestes a desmaiar de imensa emoção, chore, derrame lágrimas mimosas, amorosas, bonitinhas...

Os achincalhes do racista com cara de sapo-cururu, não paravam. Ataque a todos filhos de Alagoas: “... persistir no erro é alagoano...” (OESP, 1-10-1992). Outro ataque: “Nordeste, vergonha nacional”. E acrescentou: o nordestino não sabe nada, vive no século XVI (OESP, 8-10-1992).

A merdorreia (jorro de merda) do racista, o ininterrupto fluxo de bosta nos seus textos, capaz de entupir de merda podre trinta penicos, fizeram o Jornal do Commercio, de Recife, e o jornal baiano A Tarde, de Salvador, cancelarem a publicação dos textos do fecalomano (vocábulo criado por mim, pessoa apaixonada pelas suas próprias fezes, que devem ser o mais possível fedorentas e asfixiantes).

Os leitores do jornal dos Mesquitas encontraram, no primeiro semestre de 1995, esta porrada do fecalomano no Vicentinho, cidadão de raça africana e origem humilde, ex-operário, presidente da CUT:

“É preciso meter as mãos na cabeça raspada do Vicentinho língua presa (eu daria uma chicotada, para ver se reage docilmente como escravo)” (OESP-28-5-1995).

O jornalista Cacau Menezes, revoltado, após ler o texto estúpido, sugeriu o enquadramento do fecalomano num processo e o uso imediato da Lei Afonso Arinos, que proíbe a discriminação racial.

Também indignado, o cantor e compositor Gabriel, o Pensador, colocou estas palavras na canção Lavagem cerebral:

 

“Não seja um imbecil,

Não seja um Paulo Francis,

Não se importe com a origem

Ou a cor do seu semelhante.”

No ano de 1997, eu, Fernando Jorge, fui entrevistado na sucursal do Jornal do Brasil, aqui de São Paulo, por causa do lançamento da primeira edição do meu livro Vida e obra do plagiário Paulo Francis – O mergulho da ignorância no poço da estupidez. E dois repórteres me apresentaram a um pernambucano, o Ferreirinha (Sebastião Ferreira da Silva). Ele me informou que havia sido motorista da Folha de S. Paulo e que o seu chefe o incumbiu de servir o Paulo Francis. Este, ao vê-lo, costumava dizer:

– Você já chegou, meu escravo?

Reação do Ferreirinha:

– Doutor, não sou escravo de ninguém.

Mas o Francis respondia:

– É o meu escravo, sim, porque você é preto, nordestino, pertence a uma raça inferior, que só existe para obedecer a nós, os brancos, de raça superior.

Durante vários dias, no seu apartamento, Francis só o tratou dessa maneira. Transcorridas duas semanas, o chefe do Ferreirinha lhe deu esta ordem:

– Amanhã o Paulo Francis vai voltar para Nova York. Vá lá no seu apartamento, a fim de levá-lo até o aeroporto e pegar as suas malas de lona.

O pernambucano não quis ir, alegando não aguentar mais as humilhações do batráquio racista, porém o chefe insistiu, ele precisava cumprir a ordem.

Esclareceu-me o Ferreirinha, na sucursal do Jornal do Brasil:

– Fui lá e o Paulo Francis, ao me ver, perguntou: você já chegou, meu escravo? Respondi, é melhor o senhor parar com isso, hoje não estou com a cabeça boa, a minha cuca está quente. Aí ele gritou, cala a boca, escravo, senão eu faço você perder o seu emprego!

Indaguei, cheio de muita curiosidade:

– E aí, o que aconteceu?

– Aí, doutor, eu perdi a cabeça. Avancei na direção dele, soltei uma cusparada na sua cara, xinguei o Francis de filho da puta sem parar. Depois, usando a ponta do meu sapato bicudo, arrebentei com pontapés as suas doze malas de lona. Ele gritava, parecia um doido. Antes de ir embora, escarrei mais uma vez na sua cara, bati a porta do seu apartamento com força e ele ficou lá sozinho, a berrar como um bezerro desmamado.

Eu quis saber:

– O senhor perdeu o emprego de motorista da Folha de S. Paulo?

– Não, mas fui transferido para outro setor.

Aconselho o Nelson de Sá, adorador do Paulo Francis, a visitar o nordestino Sebastião Ferreira da Silva, o Ferreirinha, grande vítima do racismo de seu ídolo. Anote, Nelson, o endereço. Trata-se de uma prova viva do inquestionável racismo do Francis. Parque Cecap, Bloco 13, apartamento 021, Condomínio Paraná, Guarulhos, São Paulo. CEP: 07190-905.

Paulo Francis odiava os negros, os nordestinos

A “poesia” de Michel Temer nos dá mais saúde

Adriana Calca em Outro

            Recebi dezenas de e-mails de todas as partes do nosso país, dizendo que a cantora Adriana Calcanhotto se apoderou da tese de um livro de minha autoria. O livro, do qual já foram vendidos 118 mil exemplares, intitula-se Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido, da editora Novo Século, e nele provo isto: a obsessão da mãe de Obama pelo filme Orfeu Negro, de 1959, baseado numa peça de Vinicius de Moraes e dirigido pelo francês Marcel Camus (1912-1982), causou o nascimento do atual presidente dos Estados Unidos.

             Num dos referidos e-mails, o pesquisador Marcelo de Almeida, da cidade paulista de São José dos Campos, situada no Vale do Paraíba, declarou o seguinte:

           “A pré-quinquagenária Adriana Calcanhotto, com a maior cara-de-pau, não teve nenhum escrúpulo ao empalmar a tese do escritor Fernando Jorge. Ela precisa fazer uma alteração no seu nome, passar a se chamar Adriana Calca em Outro e não Adriana Calcanhotto. O outro é Fernando Jorge. Calca, presente do indicativo do verbo calcar, funciona aqui como sinônimo do verbo decalcar, que significa plagiar, imitar servilmente”.

Uma pesquisa feita pela Universidade de Maryland, em Baltimore, nos Estados Unidos, revela o seguinte: rir, soltar gargalhadas, evita ataques cardíacos. Segundo a pesquisa, o riso melhora a função dos vasos sanguíneos, aumenta em 22% o fluxo de sangue e reduz a pressão arterial. Além disso, quando rimos, cresce a absorção de oxigênio pelos pulmões, de modo rápido, possibilitando a inalação de maior quantidade de ar. E assim é eliminado o nocivo excesso de óxido de carbono.

De acordo com a referida pesquisa, o riso ajuda a liberar a endorfina, substância associada ao bem-estar do nosso corpo. Também faz o organismo fabricar mais células de defesa. Portanto gera o fortalecimento do sistema imunológico, cria barreira contra as viroses, as infecções, as doenças contagiosas.

Outra vantagem do riso, das gargalhadas, informa o estudo da Universidade de Maryland: os músculos abdominais são estimulados, o sistema gastrointestinal é favorecido, a digestão melhora.

Depois de revelar tais fatos, aconselho os meus caros leitores a percorrer as páginas do livro Anônima intimidade, no qual Michel Temer reuniu as suas “poesias”, e lançado pela editora Topbooks. Devido ao fato de ser obra hilariante, produtora de risadas incontroláveis, benéficas à saúde, acho que ela merece estar à venda nas farmácias, como eficiente remédio contra a tristeza, a melancolia, o pessimismo, a falta de ar, os distúrbios dos pulmões, do coração e do aparelho digestivo.

Leio na página 55 dessa obra, no “poema” intitulado “Pré”: “prefácio é antes de fazer, como posfácio é depois de fazer.” Sensacional! Parabéns, Michel Temer, pela sua descoberta magnífica! Só falta você acrescentar que água mata a sede, comer mata a fome, mijar alivia a bexiga, espirrar desoprime o nariz.

Digna de receber o Prêmio Nobel de medicina, outra descoberta sensacional do Temer, na página 63. Ei-la: “nosso corpo foi planejado para produzir ruídos”. Você acertou, Temer. Quem lhe disse isto? Deus? O diabo? Mas admita, alguns ruídos do nosso corpo se mostram inconvenientes, como os arrotos e as indiscretas ventosidades – eu imagino – expelidas após as gorduchas feijoadas do Palácio Jaburu.

O “poeta” declara nos versos de “Precocidade”, da página 69: dez dias antes de nascer, ainda acomodado no ventre da mãe, a libanesa March Barbar Lulia, ele ouviu gritos, barulho de confusão. E também o som de tapas. Daí se conclui, Temer é um fenômeno, possui memória fabulosa, incomparável, pois decorridos mais de setenta anos, lembra-se de tudo que escutou na barrigona materna. Pergunto, o médico ou a parteira aplicou-lhe um tapa? Se aplicou, coitadinho do bebezinho Temerzinho, tão inocentinho e tão engraçadinho!

Em seguida, no “poema” “A menina e o sonho”, da página 70, ele nos apresenta uma “carroça com sola de borracha”. Desejo saber, essa carroça tem pés, sapatos? Que número ela calça? Número 500? Usa tênis ou sandálias? Botas gaúchas ou delicados sapatos italianos de pelica? É sapateadora, como o Fred Astaire e o Gene Kelly?

Temer garante em dois versos da página 77, na “poesia” “Sem título”: a brisa é leve, suave. Puxa, como sou ignorante! Eu pensava que as brisas são pesadas como as pedras da Serra da Cantareira e os textos do José Ribamar Ferreira de Araújo Costa Sarney, político de nome grande e ação pequena.

Sempre a rir, vejo na página 83 a “Dor de cabeça”, composição que nos causa enxaqueca, onde Michel Temer descreve “os seios da face”. Continuo a me achar um ignorante. Juro, eu não sabia, as caras possuem seios, glândulas mamárias! As mães, graças à descoberta do Temer, podem alimentar os bebês com o excelente leite das suas bochechas. Aliás, não apenas qualquer mãe, qualquer pai também... Outra coisa, os seios da face precisam de soutiens, principalmente os que tem o tamanho das mamas da Fafá de Belém.

Inspiradíssimo, Michel Miguel Elias Temer Lúlia (é este o seu nome por extenso), salientou na página 89: “tateando com tato” (“poesia” “Tato”) Formidável! Ele tateou com tato! Só falta esse poeta sublime nos dizer que bebeu com a boca, andou com as pernas e sentou-se num lindo cagatório com as suas dignas, honradas nádegas presidenciais...

Ao descrever na página 100 (“A letra”) uma perturbadora mulher, o nosso “poeta nacional” evocou o seu “perfume perfumado”! E eu, prestem atenção, ouvi um berro berrado, um espirro espirrado, uma fala falada, uma chuva chovendo.

Na página 134, no “poema épico” “Vai e vem”, o incompreendido Michel Temer explica que está numa “casa isolada”. De repente caem “os primeiros pingos”, surge “o relâmpago, anunciando o trovão”. E ali se desencadeia “forte borrasca”. Mas borrasca é tempestade marítima. Alguém já viu, longe do mar, em terra firme, uma borrasca?

Fiquei impressionado com o “poema realista” da página 135, o “Vermelho”. Michelzinho escreveu isto nessa joia literária: “Labaredas de fogo”. Belo demais! Emocionei-me, chorei. E lamento, como sou ignorante! Eu ignorava que as labaredas são de fogo, que o gelo é água em estado sólido, que a laranjada é uma bebida feita com o suco da laranja...

Socorro, acudam-me, Herminio Prates, Domingo Gonzáles Cruz, Edival Lourenço, Silas Corrêa Leite, Marcos Caldeira Mendonça, jornalistas cultos, incapazes de asnear, de vomitar asneiras! E aconselho o nosso super-transitório presidente a pronunciar em voz alta, potente, retumbante como o grito do Ipiranga, estas palavras do insigne historiador Alexandre Herculano (1810-1877), inseridas no volume II das suas Lendas e narrativas, obra publicada em 1851:

“Compadece-te de nós, Senhor, porque asneamos!”

Vou fornecer mais um conselho ao autor do livro Anônima intimidade: por favor, pare de cometer erros graves de português. Não é “que, crescendo, assustou-se” (página 21), é “se assustou”, o que atrai o pronome. Não é “deixar que saibam-te” (página 29) e sim “que te saibam”, o que, repito, atrai o pronome. Não é “para inspirar-me” (página 21), é “para me inspirar”, a preposição simples para atrai o pronome. Não é “para complementar-me” (página 129), é “para me complementar”, volto a repetir, a preposição para atrai o pronome.

O poeticida e gramaticida Michel Temer (assassino da poesia e da gramática), me deu mais saúde, mais vitalidade, pois ri a valer, gargalhei em excesso, sem parar, lendo o seu livro estrambótico, abarrotado de asnidades, altíssima montanha de cacaborradas, livro entupido como diria o Nelson Rodrigues, de “óbvios ululantes”, tão ululantes como os ululos, no rigor do inverno, de um lobo faminto nas regiões selváticas da Eurásia.

Marcela Temer, de 33 anos, ex-miss, esposa do nosso presidente com cara de E.T., mandou tatuar no seu pescoço o nome do marido. Sugiro que a sogra dele, Norma Tedeschi, faça o mesmo. Aliás, todos nós brasileiros, devemos tatuar nos pescoços o nome Michel Temer, porque graças à leitura das suas “poesias” – e comprovando a pesquisa realizada pela Universidade de Maryland – agora, por rir bastante, gargalhar até perder o fôlego, estamos mais alegres, otimistas, esperançosos, bem-humorados, felizes, saudáveis como um rechonchudo bebê recém-nascido, alimentado pelas tetas exuberantes de uma vaca premiada.

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ENTREVISTA DE FERNANDO JORGE NO PROGRAMA AMAURY JR

Biografia

Fluminense, filho de Salomão Jorge e Albertina Alves Jorge é escritor, historiador, biógrafo, crítico literário, dicionarista, enciclopedista e jornalista. Estudou Direito na Universidade de São Paulo, é diplomado em Biblioteconomia (foi diretor da Divisão Técnica de Biblioteca da Assembléia Legislativa de S.Paulo), e jornalista com a carteira 088 da Associação Brasileira de Imprensa - SP.

Fernando Jorge é figura que provoca polêmica e admiração. Seus premiados livros causam discussões e incitam a crítica e o público a importantes reflexões. Elogiado por seus livros extremamente pesquisados e rigorosamente documentados, Fernando Jorge obteve um de seus ápices em 1987 quando lançou “Cale a Boca, jornalista!”, contundente e minucioso relato sobre as torturas sofridas por jornalistas brasileiros durante o período militar pós-1964.

O autor, agraciado com o Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, também já ganhou o Prêmio Clio, da Academia Paulistana de História, pela obra “Getúlio Vargas e o seu Tempo”.

Ele recebeu a medalha de Koeler, em 1957, pelos grandes serviços prestados à cultura brasileira. Apaixonado por ela, também escreveu “Vida e Poesia de Olavo Bilac” e “O Aleijadinho”, entre muitos outros títulos. Prova de seu empenho em compreender o Brasil e seus personagens marcantes é este “Santos Dumont – As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont”, obra que revela a ousada e empreendedora personalidade do inventor do avião, do relógio de pulso, da escada em caracol - entre outras fantásticas contribuições à humanidade.

LIVROS AUTOGRAFADOS DE FERNANDO JORGE

ENTRE EM CONTATO CONOSCO: fernandojorge88@terra.com.br

Em 1966, na época da ditadura militar, surgiu o livro Febeapá, Festival de besteira que assola o país, da autoria de Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do jornalista Sérgio Porto (1923-1968). Nessa obra ele mostrou como dezenas de cretinices, de absurdos, de despautérios, haviam se espalhado pelo território nacional. Os milicos rangeram os dentes, não gostaram, mas tudo era verdade. Pois bem, se o Sérgio Porto hoje estivesse vivo, decerto escreveria, após comparecer na Festa Literária Internacional criada por Liz Calder, cidadã inglesa, um livro com este título: Febeará II, Festival de besteira que assola Paraty.

Sérgio desfecharia esplêndidas gargalhadas, na pitoresca cidade dos tempos coloniais, ouvindo as sandices expelidas pelas bocas do britânico Kenneth Maxwell, do holandês Arthur Japin, do americano Benjamin Moser, do escocês Irvine Welsh, do português Ricardo Araújo Pereira, da brasileira Juliana Frank, da peruana Gabriela Wiener, do sírio Abud Said.

Confesso, ri a valer quando o Kenneth Maxwell vomitou esta mentira lá na Paraty das belas igrejas consagradas à Nossa Senhora:

“Não foi o Brasil que se tornou independente, mas Portugal que se livrou da colônia.”

Aprenda, mister Kenneth, decore, Portugal não quis se livrar do Brasil. A luta encarniçada pela definitiva expulsão dos portugueses é eloquente, prova isto. Basta salientar: a Bahia, depois do Grito do Ipiranga, foi o principal núcleo da violenta reação lusa. Na terra de Castro Alves se achava aquartelada a temível Legião Constitucional Lusitana, do coronel Inácio Luís Madeira de Melo. Em 8 de dezembro de 1822, portanto bem depois da proclamação de D.Pedro I, travou-se sangrenta batalha entre as tropas dos brasileiros e as dos portugueses, que durou cinco dias, com a vitória dos nossos patrícios. Entretanto, Madeira não desistiu, pois no dia 8 de janeiro de 1823, num combate feroz, tentou sem êxito tomar a Ilha de Itaparica.

Portugal, memorize senhor Kenneth Maxwell, volto a insistir, não desejou, em hipótese alguma, perder o Brasil. A oposição do país de Camões ao desligamento de sua colônia, fez o Brasil contratar Alexandre Tomas Cochrane (1775-1860), almirante inglês. Este conseguiu expulsar a esquadra lusa de João Félix de Campos, disposta a destruir os nossos navios. E Portugal pretendia enviar numerosas tropas, no afã de impedir o alvorecer, na América do Sul, de um novo país, o Império do Brasil.

Outro capaz de vomitar asneiras: o pedante, o insuportável ianque Benjamin Moser, autor de uma indigesta biografia de Clarice Lispector. Biografia que deve ser vendida nas farmácias, como eficaz remédio contra a insônia. Ele gosta de chocar, de causar escândalo. No livro Autoimperialismo, lançado pela editora Planeta, o apedeuta Moser sustenta que os “norte-americanos são imperialistas para fora” e o Brasil “é imperialista para dentro do seu próprio território.”

Preste atenção, Moserzinho assanhadinho, a fim de não ficar completamente burrinho, o seu país, os Estados Unidos, é que sempre foi imperialista para fora e para dentro do seu próprio território. Você se esqueceu como os americanos conquistaram o Oeste da pátria do gangster John Dillinger? Massacraram os índios peles-vermelhas. O general George Armstrong Custer (1839-1876), inimigo desalmado desses índios, era um bandido, um assassino, um genocida, como os demais conquistadores do Oeste. Trucidou à traição, nas aldeias indígenas, centenas de velhos, mulheres e crianças, de madrugada, quando estavam dormindo, com o único propósito de se apoderar de suas terras. Morreu num ataque aos sioux, em Montana.

Concordo, Simão Álvares, o Velho, em 1610; Raposo Tavares, em 1649; Lourenço Castanho, em 1668; Fernão Dias Pais, em 1674; Pascoal Moreira Cabral, em 1716; Bartolomeu Bueno da Silva, em 1722, todos esses bandeirantes, exibindo arcabuzes, forquilhas, coletes feitos de couro de anta, para se protegerem das flechadas, agiram, é impossível negar, como homens sem escrúpulos, escravizadores de índios. Mas indago, e os desbravadores do Oeste do país do presidente Theodore Roosevelt (1858-1919), ardoroso paladino da política do big stick, do “longo porrete”? Usando esse porrete, os Estados Unidos arrancaram do México, em 1803, o território do Colorado; em 1845, o do Texas; em 1848, o do Arizona.

Portanto, Moser, silencie, deixe de bostejar pela boca. Grave estas palavras latinas de Cicero, inseridas no capítulo XII das Filipicas: cuisuis hominis est errare; nullius nisi insipientis in errore perseverare (“de todos os homens é o errar; só do ignorante é perseverar no erro”).

O apedeutismo, a leviandade, a incompetência do boquirroto Benjamin Moser, formam gigantesco contraste com a cultura, a seriedade, a indiscutível competência dos americanos Stanley E. Hilton, John W. Foster Dulles e Thomas Skidmore, autores, respectivamente, das seguintes obras a respeito do nosso país: Suástica sobre o Brasil, Anarquistas e comunistas no Brasil, Brasil: de Castelo a Tancredo. Aliás, nesta última obra, Thomas Skidmore, professor da Universidade de Wisconsin, recomenda aos pesquisadores, no capítulo VI, a leitura do meu livro As diretrizes governamentais do presidente Ernesto Geisel, lançado em 1976.

Vejam mais uma cretinice, parida durante o Febeapá II, Festival de besteira que assola Paraty. Aconteceu no dia 2 de julho, um sábado, na mesa 15 do referido Besteirol: o pré-sexagenário Arthur Japin, ao lado do artista plástico Guto Lacaz, afirmou que Santos Dumont era homossexual. Japin é autor da novela O homem com asas, baseada na vida do “Pai da Aviação”, e publicada aqui pela editora Planeta.

Primeiro acentuo: não sou homofóbico. E tanto é verdade que fui o mais ardente defensor da escritora lésbica Cassandra Rios, na época do regime militar, como ela reconhece na sua autobiografia Mezzamaro, flores e cassis, aparecida no ano 2000. Cassandra, nesse livro, chegou a escrever, conforme se vê na página 143: “muito querido amigo, Fernando Jorge”. E mais uma coisa, não é pelo fato de Arthur Japin ser homossexual, companheiro de Benjamin Moser, que eu agora vou criticá-lo. Senhor Japin, não coma capim, cheire um jasmim, vossa excelência mentiu, não há nenhuma prova para dizer: Santos Dumont era bicha. Se foi, teríamos de aceitar o fato, como hoje não ignoramos a pederastia dos escritores André Gide e Oscar Wilde, do músico Tchaikovski, do poeta Frederico Garcia Lorca.

Provei no meu livro As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont, cuja sexta edição está prestes a sair, que o inventor patrício amava as mulheres, interessou-se pela jovem Yolanda Penteado, da alta sociedade paulista. Até quis casar-se com ela. Antes de a conhecer, nutriu louca paixão por uma francesa casada, madame Letellier, esposa do diretor de poderoso jornal parisiense. E mais ainda, ele foi amante de uma atriz da mesma nacionalidade, de certa fama, segundo o depoimento do seu íntimo amigo, o comandante Amadeu Saraiva (eu o entrevistei). Além disso, Dumont alimentou o sonho de esposar a jovem Janine Voisin, filha do aeronauta Gabriel Voisin, porém este, apesar de ser seu amigo, não permitiu a realização do matrimônio, devido a diferença de idade que havia entre ambos, porque o inventor estava com quase sessenta anos e Janine apenas com dezessete.Engula, comendo amendoim, sem ter dor de rim, a verdade por mim exposta, Arthur Japin. E vá soltar as suas mentiras peidorentas sobre Santos Dumont em Adis Abeba, em Uganda, no Azerbaijão, em Tanganica, em Bucaramanga, em Cochabamba, naquele lugar onde Judas, após devorar uma estragada maionese, sofreu ruidosa e interminável diarreia...

O rio de fezes da Clip não parou aí, continuou a correr tranquilo, embora fedendo, todo coberto de azuis moscas-varejeiras.

De fisionomia idêntica à bunda branquíssima da Marta Suplicy, o escocês Irvine Welsh, autor do romance pornográfico A vida sexual das gêmeas siamesas, ingeriu várias talagadas de cachaça e berrou:

-Huaaaaaaaaaa!

Parecia o relincho de um cavalo bêbado ou no cio.

No domingo, 3 de julho, o português Ricardo Araújo Pereira, na mesa 20, declarou de modo genial: “toda literatura é cômica”. Puxa, eu não sabia, preciso aumentar a minha cultura.... Agora sei, graças ao Ricardo: o poema Jerusalém libertada, de Torquato Tasso (1544-1595), no qual ele descreve a epopeia cristã da Primeira Cruzada, é obra cômica, que provoca risos ininterruptos, como os filmes de Jerry Lewis, Stan Laurel e Oliver Hardy (o Gordo e o Magro).

Em 1º de julho, sexta-feira, a pornografa brasileira Juliana Frank “brigou com os fotógrafos, levantou o vestido e até miou no palco” (O Globo, 4-7-2016). Ela usa cola de sapateiro como droga e não sabe, informa o citado jornal, se é puta ou atriz. Ora, uma puta pode ser atriz, e uma atriz, grande puta...

Junto da desvairada Juliana, a peruana Gabriela Wiener, cuja cara parece a de um homem, ousou confessar: ela e o marido (corno bem manso) participaram de um suingue (prática sexual conjunta, de dois ou vários casais). E Gabriela, orgulhosa, disse que transou com o Rei do Pornô, cidadão espanhol cujo pênis mede 27 centímetros de comprimento (O Globo, 25-6-2016, coluna do Ancelmo Gois).

Último dia da caótica festa etílica da droga, da pornografia e da besteira, digna de um bordel, do apoio de experiente cafetina. Nesse dia memorável, o sírio Abud Said também resolveu bostejar pela boca. Ele garantiu: “não há sociedade mais doente que a culta, intelectualizada”. Em seguida, condenou os defensores dos direitos humanos. Ouviu xingamentos, vaias.

Eis o que foi a Clip de 2016, porcaria fecal e internacional. Paulo Werneck, o curador dessa festa nojenta como o vômito de uma cadela sifilítica, em vez de convidar intelectuais do porte do crítico Fábio Lucas, mestre da nossa literatura, insigne escritor, e outros escritores de valor, como Rui Mourão, Paulo Markun, Enéas Athanázio, Audálio Dantas, Gabriel Kwac, Caio Porfírio Carneiro, Herminio Prates, Raquel Naveira, Silas Corrêa Leite, Lenita Miranda de Figueiredo, Roniwalter Jatobá, Jorge Fernando dos Santos, em vez de convidar todos esses talentos merecedores de aplausos, gastou milhões de reais pedindo a presença, nessa Clip nauseabunda, dos representantes, segundo podemos ler na edição de 1º de julho do jornal O Globo, de “uma literatura suja, afogada em drogas”.

Flip, a festa etílica da droga, da pornografia e da besteira

Fernando Jorge é o unico escritor e jornalista que mostrou a verdade sobre a Flip

Antes de contar porque chamei de cagão o governador de São Paulo, na frente dele, preciso dizer uma coisa. O que vou narrar aqui foi gravado pela Comissão Nacional da Verdade, com a presença da consultora Maria Luci Buff Migliori, de Brasília. A comissão esteve no meu lar por este motivo: fui processado quatro vezes, na época do regime militar, como “escritor e jornalista, perigoso, subversivo.”

Passo a expor a história do xingamento. A Editora Mc-Graw-Hill do Brasil, cuja sede é em Nova York, no ano de 1976 incumbiu-me de escrever um livro sobre o governo Geisel, de caráter documental. Então produzi, em dois meses, a obra As diretrizes governamentais do presidente Ernesto Geisel – Subsídios e documentos para a história do Brasil Contemporâneo. O brasilianista Thomas Skidmore, professor de História da América Latina na Universidade de Wisconsin, recomendou a leitura desse meu trabalho no capítulo VI do seu livro He politics of military rule in Brazil 1969 - 85.

Mesmo contra a minha vontade, a Mc-Graw-Hill resolveu enviar uma cópia do original para o ministro Golbery do Couto e Silva, chefe do gabinete civil do presidente Ernesto Geisel. Sete dias depois os americanos me chamaram com urgência à editora. Lá, na presença do gerente Jan Rais, ouvi estas palavras de um gringo louro, cujo rosto largo, redondo, corado, parecia uma rósea bunda feminina bem nutrida:

-Sanhorr Farrnandu, ministru Gulbirri telafunou di Brrázilia i nus acunsilhô a non publicar seo livrru.

Devolveram-me o original e veloz, sem perda de tempo, procurei um editor que o aceitou, apesar de ter lhe contado tudo, a proibição do general Golbery, etc. O livro logo saiu. Eu era, na época, chefe da Divisão Técnica de Biblioteca da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Certo dia, uma semana após o lançamento da obra, encerrado o expediente da minha seção, achava-me sozinho na biblioteca da Assembleia. Eram oito horas da noite. De súbito entraram no recinto seis homens mal encarados. Vi que carregavam armas, revolveres, fuzis. Aproximaram-se de mim, acompanhados pelo investigador Wilson de Barros Consani, da Secretaria da Assembleia. Um desses fulanos declarou:

-Somos policiais da Secretaria da Segurança e recebemos ordens para levar o senhor preso até o DOPS.

Surpreso, indaguei:

-Por qual motivo?

A resposta veio firme, incisiva:

-É porque o senhor escreveu um livro.

-Ué, agora escrever livro é crime?

-O senhor escreveu um livro sobre o presidente Geisel e a obra foi considerada perigosa, subversiva. E além disso, por causa do senhor, o governador Paulo Egydio não dormiu a noite inteira.

-Por minha causa?

-É, por sua causa, pois o governador soube que aparece no seu livro. Ele não quer que o presidente Geisel pense que é amigo de um escritor perigoso, subversivo.

-Incrível, não acredito! – respondi – O senhor está falando sério, o governador ficou sem dormir à noite inteira, por minha causa?

-Sim, repito, não dormiu a noite inteira por sua causa. A esposa dele está preocupada. Abatido, nervoso, às sete horas da manhã o governador chamou o coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança, e pediu para ele tomar enérgicas providências. O coronel telefonou para o Palácio da Alvorada, em Brasília, e obteve do ministro Golbery a autorização de mandar prender o senhor, de levá-lo até o DOPS.

Reagi, de maneira rápida:

-Ah, São Paulo não merece isto! São Paulo, juro, não merece isto!

Os policiais arregalaram os olhos, não entenderam. Continuei:

-São Paulo, o heróico estado dos corajosos bandeirantes Borba Gato e Raposo Tavares, dos bravos soldados da Revolução Constitucionalista de 1932, não merece isto, não merece isto!

-Não merece o quê?

-Não merece estar sendo dirigido por um governador medroso, cagão!

O chefe dos policiais aconselhou:

-Acalme-se, não se revolte, estamos cumprindo ordens. É melhor o senhor no acompanhar.

Tranquilo repliquei, embora com o meu esbraseado sangue árabe fervendo nas veias:

-Só sairei daqui se os senhores me algemarem e me arrastarem, porém advirto, a situação agora é outra. Lembrem-se da morte do Herzog e do operário Manuel Filho. Não ficarei muito tempo preso. Assim que sair do DOPS, vou processar o governador Paulo Egydio e o secretário Erasmo Dias, porque estou totalmente inocente, Consequência, o governador vai ficar com fama de cagão, de palhaço, de sujeito apavorado, ridículo.

Vendo a minha reação, o investigador Wilson de Barros Consani (ele está vivo, é testemunha) pegou o telefone e ligou para o doutor Romeu Tuma, diretor do DOPS, a fim de explicar o que estava acontecendo. Em seguida o Tuma quis falar comigo. Calmo, esclareci:

-Doutor Tuma, recuso-me a ir preso até o DOPS. Não cometi nenhum crime. Sou inocente. Se eu for, terá de ser à força, terei de ser algemado e arrastado. E reafirmo, após sair do DOPS, vou processar o governado Paulo Egydio e o secretário Erasmo Dias, devido a este ato de arbítrio, de violência injustificável. O governador vai fazer o papel de palhaço, de cagão, e ficará desmoralizado.

O diretor do DOPS respondeu:

-Não precisará agir assim, doutor Fernando. Pedirei ao coronel Erasmo Dias para revogar a ordem da sua prisão. Só lhe peço o obséquio de conceder o seu depoimento aí mesmo, na Assembleia. Vou mandar um escrivão e duas testemunhas. Concorda?

Aceitei. E permaneci na Biblioteca da Assembleia até às cinco horas da madrugada, respondendo a dezenas de perguntas cretinas, registradas por um escrivão nissei.

O meu livro sobre o governo Geisel logo foi publicado. Enviei um exemplar para o ministro Golbery, que o havia proibido, e ele cinicamente agradeceu, classificando a obra de “honesta”, de “valiosíssimo documentário”. Roguei dez pragas contra esse general...

Um ano depois o editor da quarta edição do meu livro sobre o Aleijadinho, um português, apresentou-me numa Bienal do Livro, no stand da sua editora, a DIFEL, ao ex-governador Paulo Egydio Martins:

-Governador, tenho a honra de lhe apresentar o escritor Fernando Jorge.

Olhei a cara do Paulo Egydio, um homem alto, encorpado, e soltei estas palavras:

-Recuso-me a cumprimentá-lo. O senhor é um cagão, pois ficou uma noite inteira sem dormir, com medo que o presidente Geisel pensasse que é meu amigo. São Paulo não mereceu ter sido governado por um borrador de cuecas.

Sou meio louco, pronunciei estas palavras com voz bem alta, para mais de cinquenta pessoas no amplo stand da DIFEL ouvirem. O editor e o ex-governador ficaram brancos como neve, pareciam que iam desmaiar. Sentindo-me vingado, eu me afastei triunfante, de cabeça erguida, a transbordar de alegria.

Indiscutível, o estadista e filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) proclamou a verdade ao afirmar no capítulo IV dos seus Essays: “a vingança é uma forma de justiça selvagem.” Revenge is a kind of wild justice.

Chamei de cagão, na frente dele, o governador de São Paulo

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Fiquei preso horas e horas na Base Aérea de Cumbica, no ano de 1974, durante o governo do general Médici. Narrei esse episódio à Comissão Nacional da Verdade. Ela foi ao meu lar, já disse em outro texto, a fim de registrar o depoimento do “muito perigoso e subversivo escritor Fernando Jorge”. Consultora da Comissão, a senhora Maria Luci Buff Migliori testemunhou o depoimento.

Começo a evocar o episódio usando palavras do poeta latino Horácio (65-8 a. de J.C), numa de suas sátiras. Ab ovo usque ad mala. Tradução: “do ovo até as maçãs”, do princípio até o fim. Dessa maneira se expressavam os romanos antigos, pois no início das refeições comiam ovos e no fim maçãs...

Antes de ser nomeado diretor da Divisão Técnica de Biblioteca da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, eu exerci nela o cargo de bibliotecário-chefe. Devido ao escândalo da construção do novo prédio do Poder Legislativo paulista, os militares fecharam a Assembleia em 1974. Só os funcionários lá compareciam diariamente.

Enquanto a Assembleia permanecia fechada, eu sempre recebia na Biblioteca a visita do jornalista Manuel Pais de Almeida, também funcionário do Legislativo e que num artigo elogiou a primeira edição do meu livro sobre o Aleijadinho. Fervoroso admirador do ministro Armando Falcão, da Justiça, aliás, da Injustiça, o Manuel o defendia das minhas incessantes porradas no lombo desse ministro sinistro. Eu dizia:

-Armando Falcão é um fascista, proíbe reuniões de estudantes, manifestações públicas corretas, enquadra cidadãos inocentes na Lei de Segurança Nacional. É tão fascista que proibiu a apresentação do Balé Bolshoi no Brasil e a circulação, aqui, dos livros de Tolstói, Tchecoff, Puskin, Gogol, Dostoiewski, só pelo motivo desses escritores clássicos serem russos. Além disso, como se fosse um comandante da Gestapo na Alemanha nazista, só anda protegido por onze agentes de segurança, armados de fuzis e metralhadoras.

Manuel, indignado, rebatia essas críticas. O meu colega Henrique Ricchetti, grande amigo e homem de Esquerda, logo me preveniu:

-Fernando, você foi dedurado pelo Manuel Pais de Almeida. Os militares vão levar você preso até a Base Aérea de Cumbica. Querem interrogá-lo.

Dito e feito. Um dia depois, às cinco horas da madrugada, dois soldados corpulentos, munidos de metralhadoras portáteis, levaram-me num jipe até à referida base aérea. Escoltado por ambos, fui metido num quarto pequeno da base, no qual apenas havia uma cama-beliche. Antes de trancarem a porta, um deles me informou:

-Dentro de dez minutos, quatro oficiais da Aeronáutica virão lhe fazer perguntas.

No quarto escuro, abafado, bem quente, um forno, era fevereiro, tentei abrir a janela, porém se achava fechada com um cadeado. Bati na porta. Munido de metralhadora, um soldado abriu-a e eu pedi:

-Como a janela está fechada com cadeado e o calor é insuportável, por favor, abra a janela.

Ele garantiu que os quatro oficiais tinham a chave do cadeado e logo apareceriam. Trancou a porta novamente e me sentei na beira da cama de baixo. Suava tanto que arranquei o paletó, a camisa e a calça, ficando só de cueca. Então compreendi, aquele quarto minúsculo correspondia a uma cela de prisioneiro. Acudiu-me este raciocínio: isto é tortura psicológica, um método para me apavorar, obrigar-me a cagar de medo, mas vou honrar os meus colhões.

Fiquei ali sozinho nove horas, faminto, sedento, quase nu, molhado de suor. Os quatro oficiais da Aeronáutica apareceram às três da tarde. Após abrirem o cadeado da janela, entrou um pouco de ar fresco e diante de um escrivão nanico, passaram a me interrogar. Eu afirmei, tirando os meus óculos:

-Podem furar os meus olhos, não sou alcaguete, dedo-duro, não vou delatar ninguém.

Eles se enfureceram:

-Contenha-se, nós não somos torturadores!

Perguntaram se eu era da Esquerda e respondi:

-Sou um democrata, um amante da liberdade, um inimigo de qualquer tipo de ditadura.

Salientaram que mais de vinte deputados iam ser cassados e sessenta funcionários, colegas meus, perderiam os seus cargos, por terem se apossado do dinheiro público. Enriqueceram-se, os deputados e os funcionários, com o superfaturamento na compra de materiais para a instalação da nova sede do Poder Legislativo. Um dos oficiais, no fim do interrogatório, quis conhecer a minha opinião. Fui incisivo:

-Juro, se os senhores provarem que eu, Fernando Jorge, apoderei-me do dinheiro público, fuzilem-me com um tiro na minha nuca. E façam a mesma coisa com qualquer deputado e qualquer funcionário da Assembleia, se enfiaram a mão nesse dinheiro.

Arregalaram os olhos, creio que não esperavam esta minha reação. Um deles falou:

-O senhor poderá ir embora. E fique sabendo, em breve, no espaço de vinte dias, os jornais vão publicar a lista desses deputados e funcionários corruptos.

Devolvido à liberdade, todos os dias eu lia os jornais, na ânsia de ver a tal lista. E nada. Oito meses fluíram. A lista continuava invisível, tão invisível como o homem invisível (The invisible man, livro de 1897), do novelista inglês Herbert George Wells (1866-1946). Em 1975, já no governo Geisel (1974-1979), eu fui cumprimentado, na Assembleia Legislativa ainda fechada, por dois cidadãos de chapéus enterrados nas suas testas. Tive a impressão de os conhecer. Identificaram-se, tirando os chapéus:

-Somos dois dos oficiais da Aeronáutica que interrogaram o senhor na Base Aérea de Cumbica.

-Ah, sim, mas a lista dos deputados e funcionários corruptos não foi até agora publicada pelos jornais. O que aconteceu?

-Não podemos dizer.

Eu insisti:

-Digam, não vou prejudicá-los.

Tanto insisti, que se abriram:

-Vamos dizer, porém não divulgue, lembre-se de que estamos sob uma ditadura.

Ambos me contaram:

-Descobrimos, após o seu depoimento, na conclusão do inquérito, que o Roberto Costa de Abreu Sodré, ex-presidente da Assembleia Legislativa, estava envolvido no escândalo do superfaturamento. Comunicamos o fato grave ao general Golbery do Couto e Silva, ministro do presidente Geisel, e este, após nove meses de silêncio, mandou arquivar o processo, anulá-lo, sob o pretexto de que a divulgação do fato iria prejudicar a imagem do governo, pois o Sodré se tornou um dos principais líderes civis do Movimento de 1964.

Comentei, estarrecido:

-Meu Deus, quanta hipocrisia, quanta podridão, quanta falta de ética por parte de um governo que se intitula defensor da moral pública!

Os dois oficiais da Aeronáutica abaixaram as cabeças, murmurando:

-Confessamos, a ordem do presidente Geisel nos envergonhou.

Última informação. Transcorridos alguns meses, correu na Assembleia esta notícia: encontraram o cadáver do Manuel Pais de Almeida no fundo do poço de um sítio do qual era proprietário. Ele teria sido assassinado pelas vítimas do seu dedo-durismo. Até espalharam em tom de brincadeira: eu, Fernando Jorge, mandei matá-lo. Virei, portanto, um escritor assassino, como o Gilberto Amado, que em 1915, no Rio de Janeiro, liquidou o poeta Aníbal Teófilo com vários tiros de revólver...

Muito perigoso, fiquei preso em Cumbica!

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Eu, o sensato pré-cadáver Fernando Jorge, vou aqui dar quatorze conselhos ao esperto pré-cadáver Michel Temer, presidente da República. Sim, somos dois pré-cadáveres, pois estamos em faixas quase idênticas de idade provecta. A senhora Morte já nos espia com uma atenção especial. De repente, vupt!, ela agarrará nossas carcaças, jogando-nos num túmulo ou num forno crematório. Portanto, é lógico, peço a Michel Temer, colega pré-cadáver, o obséquio de acatar agora os meus conselhos, antes de adquirir o aspecto de defunto melancólico ou bem-humorado.

Primeiro conselho. Mantenha a calma, presidente, por ter sido citado quatro vezes nas apurações da operação Lava Jato. E continue firme, sereno, apesar do seu nome aparecer vinte e uma vezes, entre os anos de 1996 e 1998, nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal na residência de um executivo da empresa Camargo Corrêa. O nome do meu colega pré-cadáver sempre se destaca nessas planilhas, junto de quantias que somam mais de 340 mil dólares.

Segundo conselho. Mostre ainda controle dos nervos, colega pré-cadáver, pois Romero Jucá, do PMDB, ministro do Planejamento, braço direito do senhor, um dos seus principais articuladores, responde a inquérito nas operações Lava Jato e Zelotes.

Terceiro conselho: Sorria, colega pré-cadáver, diante das acusações a Henrique Eduardo Alves, também do PMDB e ministro do Turismo. Esse afável colaborador de vossa excelência, sofre inquérito na operação Lava Jato, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal, a fim de se apurar propina entregue à campanha dele, Eduardo Alves, ao governo do Estado do Rio Grande do Norte.

Quarto conselho. Despreze, colega pré-cadáver, as acusações a Geddel Vieira Lima, também do PMDB, ministro-chefe da Secretaria do seu governo. Olhe a cara séria, enérgica, fechada, desse homem que de acordo com relatório da Polícia Federal, permitia a empreiteira OAS usar de modo espúrio a sua influência de deputado em numerosas instituições públicas.

Quinto conselho. Abrace demoradamente, colega pré-cadáver, o Osmar Terra, seu ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, também do mesmo PMDB, o partido político mais limpo do Brasil. Quanta insolência, o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul se atreveu a apontar irregularidades em gestões de Osmar, tanto na Secretaria da Saúde como na prefeitura da cidade de Santa Rosa, e o condenou ao pagamento de elevada multa!

Sexto conselho. Hipoteque solidariedade, colega pré-cadáver, ao ministro Blairo Maggi, da Agricultura. Blairo, do PP, é vítima de duas ações civis públicas, por improbidade administrativa, ambas movidas pelo Ministério Público de Mato Grosso.

Sétimo conselho. Aperte a mão honesta, colega pré-cadáver, do seu ministro Mendonça Filho, da Educação e Cultura, do DEM. Ele se tornou alvo da sétima fase da operação Lava Jato, sob a acusação de ter recebido 250 mil reais de propina, das empreiteiras Odebrecht e Queiroz Galvão.

Oitavo conselho. Beije na boca, colega pré-cadáver, e o acaricie muito, fazendo cócegas nas suas peludas axilas, o ministro Gilberto Kassab, da Ciência, Tecnologia e Comunicações, membro do PSD. Kassab é réu numa ação de improbidade administrativa. Ousa sustentar, o Tribunal de Justiça de São Paulo: esse ex-prefeito da capital paulista não impediu, numa feira, a cobrança de propinas.

Nono conselho. Pronuncie um discurso, colega pré-cadáver, em defesa do José Serra, do PSDB, seu ministro das Relações Exteriores. Citado na lista dos beneficiados pela Odebrecht, ele violou a Lei Orgânica Municipal quando foi prefeito da cidade de São Paulo, porque não concedeu, de maneira correta, o aumento salarial dos servidores públicos municipais. Exibiu na sua gestão, em suma, escandalosa improbidade administrativa.

Décimo conselho. Ofereça uma caixa de vitaminas, colega pré-cadáver, como prova de admiração e amizade, ao Ricardo Barros, do PP, seu ministro da Saúde. O nome de Ricardo está na lista da Odebrecht. A Polícia Federal o investiga apenas por três coisinhas: corrupção passiva, peculato e fraude na licitação para contratos em serviços publicitários destinados à Prefeitura de Maringá. Tudo em benefício da empresa Meta Propaganda.

Décimo primeiro conselho. Envie, colega pré-cadáver, um CD com músicas do sanfoneiro Luiz Gonzaga, o “Rei do Baião”, ao Sarney Filho, do PV, seu ministro do Meio Ambiente. Sarneysinho, ou melhor, Sarneysão, teve de pagar multa altíssima, sob acusação de propaganda política desonesta, uma pena determinada pelo Ministério Público Federal.

Décimo segundo conselho. Entregue como presente um automóvel bem caro, de último tipo, colega pré-cadáver, ao Maurício Quintella, do PR, seu ministro dos Transportes. Criatura doce, de olhar meigo, Maurício, coitadinho, foi condenado por improbidade administrativa, dano ao erário e enriquecimento ilícito. Atualmente é alvo de inquérito que apura peculato.

Décimo terceiro conselho. Proteste de forma violenta, colega pré-cadáver, contra as acusações a Helder Barbalho, do super-ético PMDB, seu ministro da Integração Nacional. A nossa Justiça injusta o acusa de improbidade administrativa no período em que era prefeito de Ananindeua, cidade do Estado do Pará. Segundo essa Justiça, Helder desviou recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Décimo quarto conselho. Não esconda a sua profunda admiração, colega pré-cadáver, pelo Moreira Franco, do impoluto PMDB, seu Secretário Especial de Investimento. No dia 27 de abril de 1998, o Supremo Tribunal Federal condenou Moreira, ex-governador do Rio de Janeiro, por haver cometido ato lesivo ao patrimônio público. Usou o dinheiro do povo com o objetivo de mandar imprimir o livro Moreira Franco, ele governou para todos, volume com 274 páginas, 180 fotos coloridas e tiragem de 50 mil exemplares. A Justiça o obrigou a devolver quantia equivalente a 150 mil dólares, por descumprimento do Artigo 37 da Constituição Estadual, que veda a autopromoção do administrador na publicidade de atos e obras públicas.

Concluindo, eu, o escritor Fernando Jorge, modesto pré-cadáver, cumprimento entusiasticamente o pré-cadáver Michel Temer pela feliz, inteligentíssima escolha dos seus ministros. Parabéns, presidente, mil parabéns! Que espírito justo, sensato, criterioso, o de vossa excelência! E veja, estou emocionado, uma lágrima quente, cândida, luminosa, desliza pelo meu pálido rosto de pré-cadáver patriota...

 

Conselhos do pré-cadáver Fernando Jorge para o

pré-cadáver Michel Temer

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Chocou-me a agressão do imerecidamente famoso Paulo Coelho a Jesus Cristo. Entrevistado pelo jornal inglês The Guardian, esse sub-escritor se atreveu a defecar estas blasfêmias:

“Esqueceram-se de que Jesus foi politicamente incorreto, do início ao fim. Ele era um bon-vivant. Viajava, bebia e tinha uma intensa vida social. Seu primeiro milagre não fui a cura de um cego pobre. Ele transformou água em vinho, e não vinho em água. ”

Quando li tamanha cretinice, reproduzida pela revista Veja, senti gana de amordaçar o Paulo Coelho e de obrigá-lo, após abrir sua boquinha, a engolir mijo de gambá e merda de porco. Aplicando-lhe uma chicotada na bunda bem nutrida, branca como a da ministra Marta Suplicy, eu ordenaria:

-Mostre que você é um perfeito suíno.

Para não receber no traseiro outra lambada, o Paulito Coelhinho cuincharia assim:

-Cué, cué, cué, cué, cué!

Ah, se eu pudesse, com o meu escaldante sangue árabe, arremessá-lo num chiqueiro cheio de podre lama fedorenta e fazer isto! Como me sentiria bem!

O poeta Quintus Horatius Flaccus (65-8 a.C.) estava certo ao afirmar o seguinte na Epístola aos pisões:

“Quem obteve o que lhe basta, não ambiciona mais nada”.

(“Quod satis est cui contingit, nil amplius optet”).

Corretíssimo. Penso como o protegido de Mecenas, como o mais sutil dos poetas latinos. Se eu castigasse o Paulito Coelhito dessa maneira, ficaria tão feliz, tão realizado! Talvez até daria a alma a Deus, pois Guimarães Passos (1867-1909) expressou a verdade no soneto “A vida”, do livro Versos de um simples:

“Muita felicidade também mata”

Vejam as besteiras do Paulito Coelhito. Por que Jesus “foi politicamente incorreto, do início ao fim”? Por que? Quanta estupidez! O Nazareno deveria estar a serviço do Império Romano? Submeter-se às determinações de Pôncio Pilatos? Outra burrice: dizer que o Verbo Divino era um bon-vivant, um gozador que só viajava, vivia bebendo, como os grã-finos de hoje enfiam nos seus buchos talagadas de vodca, de uísque ou de gim. Mais uma imbecilidade do Paulito Coelhito: garantir que Jesus Cristo “tinha uma intensa vida social”, como se ele fosse, naquele tempo, a encarnação masculina da loura e risonha socialite Val Marchiori, sempre a exibir uma reluzente taça com champanhe.

Querendo provar, de qualquer maneira, que o Salvador agia como um cachaceiro, o literatelho do Diário de um mago relincha: “ele transformou a água em vinho, e não vinho em água”. Perversidade, canalhice do Paulito Coelhito! Deturpou o primeiro milagre de Jesus, à semelhança de um linguarudo demônio caluniador. Narra a Bíblia que quando se celebravam umas bodas em Caná, na Galiléia, o Messias ali compareceu, junto dos seus discípulos. E Maria, mãe de Jesus, dirigiu-se ao filho:

-Eles não têm vinho.

O Mártir do Calvário, depois de pedir que enchessem de água seis talhas, metamorfoseou essa água em vinho. Então, durante o banquete, os convidados felicitaram os noivos, por causa do bom vinho servido...

Infâmia, o sentido desse episódio tão simples, revelador da infinita bondade de Jesus, foi de forma safada modificado pelo Paulito Coelhito. Este quis provar, desvirtuando a narrativa bíblica, que o Redentor era um beberrão! Autêntica baixeza!

Sustento, é disparate de grosso calibre o jornal inglês The Guardian ter publicado as idiotices desse homem digno de figurar nos dicionários de asneiras, no bestialógicos.

Ancelmo Gois, na sua coluna de O Globo (edição de 23-1-2013) informou que o Paulo Coelho ia pronunciar uma conferência na Catedral de Milão. O achincalhador de Jesus Cristo sendo prestigiado pela Igreja Católica! Já viram um contra-senso de tal envergadura?

Na reportagem “O arco e a flecha giratório” (o correto é giratórios), publicada na revista Época (edição de 7-4-2014), o jornalista Luís Antônio Ciron salienta que em Genebra, na Suíça, num apartamento duplex de 700 metros quadrados, o Paulito Coelhito, no fim da tarde, interrompe o que estiver fazendo, a fim de rezar em silêncio. Eu pergunto: rezar para quem? Um homem que desrespeita Jesus, que o achincalha, que o vê como um bêbado, bon-vivant, uma criatura mundana, entregue a “uma intensa vida social”, um homem assim somente pode rezar para um sujeito horroroso, possuidor destes vários nomes: Beiçudo, Belzebu, Bode Preto, Bruxo do Inferno, Capeta, Coisa Ruim, Lúcifer, Maligno, Mefistófeles, Não-sei-que-diga, Pé de Cabra, Príncipe das Trevas, Porco Sujo, Satanás, Serpente Maldita, etc, etc.

Explodi em gargalhadas, após ler na revista Contigo (edição de 27-3-2014) a reportagem de Nelson Liano Jr. Sobre as orações de Paulo Coelho e dos seus amigos a São José, numa festa realizada no Hotel Fortaleza do Guincho, em Cascais, Portugal. Ri sem parar, por saber, devido a essa reportagem que São José, esposo da Virgem Maria, tornou-se o santo padroeiro do Paulito Coelhito.

Amigo leitor, responda-me: se o Paulito não respeita Jesus Cristo, ele é capaz de respeitar o seu pai terreno, São José?

Em novembro de 2012, o Paulito sofreu duas obstruções nas artérias coronárias. Um médico bruto o examinou e lhe disse que teria apenas dois dias de vida, mas a implantação de dois stents no seu coração impediu a visita da senhora de olhos celados, munida de uma foice.

Cuidado, Paulito, cuidado! Pare de ofender Jesus Cristo! Se continuar a difamá-lo, o diabo vai raciocinar deste modo: vou jogar no Inferno esse blasfemador, causando-lhe um ataque cardíaco, pois ele me adora, cumpre fielmente as minhas ordens.

Paulo Coelho difamou Jesus Cristo!

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A notícia, publicada pela Folha de S.Paulo, chocou a minha sensibilidade: o Ceará pagou mais de 3 milhões de reais ao tenor espanhol Plácido Domingo, para ele participar do show de inauguração de um megacentro de eventos na capital desse estado. O megacentro foi erguido, na maior parte, com o dinheiro público do governo cearense e custou 467 milhões de reais.

Vejam o absurdo, a insensatez. Lá no Ceará o governo de um estado pobre, carente, sujeito a secas, deu mais de 3 milhões de reais a um tenor medíocre, já em decadência, a fim de ouvir, naquele lugar de nababos, durante 40 minutos, os seus trinados de pássaro idoso, de voz enfraquecida, fatigada. Mais de 3 milhões de reais, repito, nessa terra cheia de miseráveis castigados pela fome, pelas secas devastadoras.

Que governo é este, o do senhor Cid Gomes, do PSB? É o governo de um irresponsável ou de um louco?

O tenor Plácido Domingo recebeu o dinheirão, explicou o perdulário Cid, por ser um dos cantores preferidos da presidenta Dilma Rousseff. No fundo, portanto, a escolha correspondeu a um ato de bajulação, de servilismo, de agachamento diante do governo federal. Mas a presidenta Dilma, talvez envergonhada ou enojada, não compareceu no evento, e enviou, à inauguração do luxuoso megacentro, a ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, como sua representante.

Cerca de 3 mil convidados, de barrigas intumescidas, gulosas, estiveram lá, sorrindo, comendo, bebendo, arrotando, enquanto milhares de cearenses se acham na miséria, famintos, sedentos, sob as garras aduncas da seca assassina.

Que governo é este, o do Ceará? Infeliz povo cearense! Agora me vem à memória os versos do eloquente e genial Guerra Junqueiro, nos quais descreveu a fome na terra de José de Alencar, no decorrer de uma anterior seca devastadora:

 

“E por sobre esta imensa, atroz calamidade,

Sobre a fome, o extermínio, a viuvez, a orfandade,

Sobre os filhos sem mãe e os berços sem amor,

Pairam sinistramente em bandos agoireiros

Os abutres, que são as covas e os coveiros,

Dos que nem terra têm para dormir, Senhor!”

 

Durma bem, governador Cid Gomes, durma bem depois de autorizar o pagamento de mais de 3 milhões de reais ao decadente tenor Plácido Domingo, para este soltar o seu gorgeio já algo danificado pelos corrosivos ácidos do tempo. Ronque muito, governador, com a consciência em paz, tranquila, e dispare melodiosos puns durante o sono, pois o megacentro de Fortaleza custou apenas a bagatela de 467 milhões de reais, quantia indigna de ser usada no socorro de milhares de cearenses açoitados pela seca, torturados pela fome. E o grande orador romano Marco Túlio Cícero acertou de maneira total quando escreveu isto no seu De petitione consulatus:

“A estupidez é a mãe de todos os males.”

(“Omnium malorum stultitia est mater”)

O absurdo, a insensatez do governador do Ceará

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A Justiça determinou: a Assembleia Legislativa de São Paulo está impedida de pagar o auxílio-paletó, correspondente a 40 mil reais em duas parcelas, aos 94 nobres representantes do povo da terra de Rodrigues Alves.

Eu chamava esse auxílio (por achar mais apropriado), de auxílio-cueca. Era um salário-extra, pago no começo e no término de cada ano, a todos os senhores deputados do Legislativo paulista (o qual se caracteriza pela imensa austeridade), poderem comprar roupas novas, camisas, gravatas, paletós, calças, meias, e principalmente, acredito, lindas e cheirosas cuecas de seda, de cor marrom (da cor das fezes), ou azul, ou vermelha, ou cor-de-rosa gay, ou verdes-e-amarelas, como prova indiscutível de berrante patriotismo, de demagógoca paixão pelo Brasil...

Em sentença de oito páginas, o meritíssimo juiz Luís Fernando Camargo de Barros Vidal, da 3ª Vara da Fazenda Pública da capital paulista, acolheu a ação civil do Ministério Público Estadual e impôs, ao Poder Legislativo, o corte da verba que é denominada “ajuda de custo”, também conhecida como “verba de enxoval”.

A ação para eliminar o auxílio-cueca tornou-se uma iniciativa, em 2011, dos promotores Saad Mazloum e Sílvio Antônio Marques, membros da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, braço do Ministério Público cujo escopo é realizar investigações sobre atos de desmandos, de corrupção, de improbidade administrativa.

O auxílio-cueca foi previsto no artigo 1º da Lei 11.328, de 2002, e no artigo 88 do Regimento Interno da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, mas os promotores Saad e Sílvio, na ação, mostraram a inconstitucionalidade da vantagem instituída. Além de violar o artigo 18 da Constituição do Estado, no entender de ambos, o auxílio-cueca “feria de morte a moralidade”.

Após esse “humanitário” auxílio ter sido suspenso, o deputado Barros Munhoz, do PSDB, presidente da Assembleia, declarou de modo firme, sob o domínio de uma raiva mal disfarçada:

“Não enxergo problemas no benefício. Existem coisas muito mais imorais em outras instituições do nosso país. O auxílio é legal, é claro, é transparente, sem nada de errado”.

Sua excelência se expressou de forma infeliz, porque salientou que há coisas mais imorais em nossa pátria. Ora, então eu pergunto: o auxílio-cueca, por ser “menos imoral”, deixa de ser imoral?

Juro, amigo leitor, eu compreendo a oculta indignação do deputado Barros Munhoz. E sinto enorme pena dos seus 93 colegas da Assembleia Legislativa de São Paulo, pois cada um deles, pobrezinhos, só conta, todos os meses, com o auxílio moradia de 2.250 reais; com o curto salário de 20 mil reais; com os ridículos 23 mil reais para certos gastos, como Correios, gasolina e compra de jornais; com a miséria de apenas 94 mil reais mensais, destinados à verba de gabinete, ao pagamento dos pouquíssimos 32 assessores de cada um...

Vejam agora os milhões e milhões de reais que os 94 parlamentares de São Paulo custam aos cofres públicos. Só o auxílio-cueca custava, todos os anos, mais de 3 milhões de reais a esses cofres.

Reprovo a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo por ter decidido não recorrer da sentença judicial que acabou com o poético auxílio. Tal medida, tomada pela Mesa Diretora, teve o respaldo unânime dos líderes de todos partidos.

Deputado Barros Munhoz e demais parlamentares, eu sustento: os senhores foram duros, insensíveis, maus, pelo fato de não contestarem o fim do abnegado auxílio-cueca, pois causaram uma grande mágoa às perfumadas cuecas paulistas de seda. As coitadinhas estão infelizes, pesarosas, chorando. Elas sentiam tanto orgulho em resguardar as vossas bem nutridas bundas! Quem as consolará, quem? O Paulo Salim Maluf? O prefeito João Izael, de Itabira, que sofre de bibliofobia aguda?

O auxílio-cueca

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Desfechado o Golpe de 1964, os militares alçaram a bandeira da luta contra o comunismo e a corrupção. No entanto, nunca houve tanta corrupção no pais como a que nós vimos ao longo do chamado “Movimento de 31 de março de 1964”. Espalhou-se o fedor das mordomias, das sinecuras, dos peculatos, dos estarrecedores escândalos financeiros causados por empresas falidas, mas ajudadas pelo Banco Central, o cheiro nauseabundo dos casos do Halles, do Grupe Lume, da Crecif, da Audi, da Copeig, da Capemi, da Copersucar, da Coroa-Brastel, da Corretora Laureano. Só esta, por exemplo, trouxe prejuízos à nação da ordem de 46 bilhões de cruzeiros, uma soma que permitiria construir, de maneira folgada, cerca de 4.400 casas populares.

Um dos líderes no Senado da campanha pela redemocratização, o gaúcho Paulo Brossard, sintetizou tudo na seguinte frase, em 1978:

“A democracia neste pais é relativa, mas a corrupção é absoluta.”

Tancredo Neves, no dia 16 de janeiro de 1985, foi eleito presidente da República. Eu liguei a minha televisão nesse dia e vi um repórter da TV Globo perguntar isto ao Fernando Henrique Cardoso, Iá no Congresso Nacional:

-Professor, agora, com a eleição do doutor Tancredo, ainda vai haver corrupção no Brasil?

Fernando Henrique respondeu, muito eufórico:

-Ah, isto não, isto não, nunca mais, nem daqui a cem anos!

O repórter quis saber:

-E por quê?

Verboso como sempre, o Fernando Henrique explicou:

-Não vai haver mais corrupção no Brasil porque nós, do PMDB, montamos uma esplêndida máquina para fiscalizar a máquina do

Estado. A nossa máquina vai funcionar dia e noite, sem parar. Qualquer ato de corrupção será imediatamente descoberto e denunciado por nós!

Essa engrenagem, se ela existiu, nunca funcionou, pois do contrário, de 1990 a 1992, os deputados Cid Carvalho, Manoel Moreira e Genebaldo Carvalho não teriam lesado o Orçamento Federal. Citei apenas os três porque eles eram do PMDB, do partido que havia montado, segundo Fernando Henrique, a tal máquina capaz de denunciar os atos de corrupção. Aliás, como informa a edição do dia 28 de junho de 1990 do jornal O Estado de S. Paulo, o senhor Almir Candury, do PMDB de Rondônia, candidatou-se a deputado e prometeu:

-Vou ser o mais corrupto dos deputados. Estou comprando votos e disposto a fazer qualquer acordo, com papel passado em cartório, para me eleger.

Depois ele acrescentou:

-Quero ficar milionário com o meu mandato... O importante é que, de fato, sou o candidato da corrupção. Roubar todos roubam hoje em dia no Brasil.

Incrível, quanta desfaçatez! Cadê a máquina do PMDB contra a corrupção, ó Fernando Henrique? Ela é tão eficaz como a máquina de explorar o tempo do livro de H. G. Wells? E me responda, amigo leitor: acha que eu exagerei, quando disse que o outro nome do Brasil é Corruptolândia?

A máquina contra a corrupção

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Publicado há vários anos, o meu romance O grande líder está na sexta edição e continua a ser bastante vendido, segundo me informou a Geração Editorial. Narro nesse livro satírico, picaresco, as safadezas de um político canalha, Piranha da Fonseca Albuquerque, símbolo dos nossos homens públicos corruptos e que se torna sucessivamente vereador, deputado estadual, governador do Paraná e candidato à presidência da República. Esta minha obra inspirou ao presidente Jânio Quadros o seguinte comentário, numa carta enviada a mim, no dia 29 de março de 1976:

“O grande líder é para ser meditado. Parece sátira de entremez, porque jocoso ou burlesco. Acontece que não o é. A ficção, nele, retrata a vida e, então, o livro explica as razões íntimas da nossa instabilidade política, mal das Américas abaixo do rio Bravo. Recomenda-se aos moços, eis que conduzem o nosso futuro. À última página o sorriso terá um travo amargo, e a lição que Fernando Jorge intenta transmitir, colhida da experiência de um pai ilustre, o notável Salomão Jorge, e da própria vida fecunda e digna, terá sido assimilada.”

Vê o leitor, no capítulo nono do romance, Piranha da Fonseca Albuquerque roubando de maneira rápida o dinheiro guardado nas bolsas das senhoras, durante as suas visitas à Câmara dos Vereadores. Episódio baseado num caso ocorrido na Câmara Municipal de São Paulo. O vereador larápio achegava-se na maciota, pé ante pé, e metia a mão dentro das bolsas, sem as vítimas perceberem. Desmascarado, quase foi agredido pelo presidente da Câmara e teve de fugir, pular de uma janela, a fim de não receber estrondosas bofetadas...

Pois bem, amigo leitor, veja agora como o meu romance O grande líder, na sexta edição, é de fato muito atual.

A imprensa, há poucos dias, divulgou esta notícia: o vereador Valdenir Lucas da Silva, presidente da Câmara de Vereadores do município paulista de Elias Fausto, foi preso em flagrante, de madrugada, ao realizar um assalto a uma empresa de produtos de limpeza da cidade de Paulínia.

Junto de um filho e de outros três assaltantes, Valdenir colocava num caminhão uma carga avaliada em 700 mil reais. Ele já era investigado pela polícia, por roubo de cargas. Agora, após ser preso como um bandido perigoso, vai ser processado por assalto, formação de quadrilha e corrupção de menores.

Em Elias Fausto a notícia revoltou o povo. Apedrejaram a casa de Valdenir, emitindo gritos:

– Ladrão! Ladrão! Ladrão! Patife!

Desculpem-me a falta de modéstia, mas o meu romance satírico O grande líder é realmente muito atual...

Outro fato, acontecido logo depois: a justiça de Alagoas decretou a prisão de todos os vereadores de uma cidade desse estado, por fraude. Sim, todos os vereadores da Câmara Municipal da cidade de Rio Largo, a 24 quilômetros de Maceió, caíram nas unhas da lei, sob a acusação de fraude na venda de um terreno público. Uma ação da Polícia Militar, do Ministério Público e da Força Nacional de Segurança.

Até o prefeito Antônio Lins de Souza Filho, daquele município, está sento acusado de fraudar a venda do terreno de 250 acres, que pertenceu a uma usina de açúcar e no qual deveriam ser construídas casas para famílias vitimadas pelas enchentes.

Repito, insisto, é atualíssimo o romance satírico O grande líder, cujo personagem principal, o político Piranha da Fonseca Albuquerque, destaca-se como um ladrão descarado. Daí o motivo de eu ter posto no meu livro estas palavras finais, falando do Brasil:

“...belo e pobre e rico conspurcado país, a pátria do Sol, da liberdade, da hospitalidade, da fraternidade, das florestas imensas e dos rios caudalosos, onde todas coisas se mostram pujantes, excessivas – a natureza, as distâncias, os planaltos, as montanhas, as metrópoles – ah, onde tudo é mesmo titânico, ciclópico, de medidas desmarcadas, exceto, frequentes vezes, os próprios filhos dessa terra fecunda e maternal, homens que nunca foram homens, criaturas que são apenas vermes, ratos, suínos, chacais ou piranhas...”

Vereadores ladrões

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