Escritor e Jornalista

Fernando Jorge

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O retorno do maior inimigo

dos imortais

Fernando Jorge está afiado e vai relançar

o livro em que 'detona' Paulo Coelho e Sarney

O escritor Fernando Jorge, 79 anos, está preparando uma edição ampliada e revisada do livro que ainda deve deixar muito imortal com vontade de morrer, o Academia do Fardão e da Confusão - A Academia Brasileira de Letras e os seus “Imortais” Mortais, lançado em 1999. “Nestes 10 anos, a Academia só piorou”, afirma.

 

De uma forma bem-humorada, o livro mostra que até o cardápio do famoso chá da tarde dos imortais já teve seus erros de português, como “refrêsco” (com acento circunflexo no e) e “Sanduiches” (sem acento agudo no i). “O livro tem muitas histórias, mas a que mais me causa revolta é a da retirada do corpo do acadêmico Elmano Cardim do mausoléu da instituição para ocupá-lo com os restos mortais de outro acadêmico, o Darcy Ribeiro. Isso porque a Academia achava que o defunto do Darcy era mais importante do que o outro defunto. ”

 

Academia do Fardão e da Confusão tem passagens cheias de veneno: “Raras vezes a academia tem acertado na escolha de seus membros. Quase sempre ela escolhe os medíocres, as figuras apagadas, os subliteratos, os escritores fracos, sem talento, cujos livros nunca são vendidos” ou “A Casa de Machado de Assis é antes de tudo uma sociedade política. Se obtém algum favor, quase sempre retribui o benefício, o que é uma virtude e um defeito. Virtude porque mostra sua gratidão e defeito porque elege candidatos medíocres.”

 

Tanto escárnio em relação a academia não esconderia um desejo reprimido do escritor em tornar-se também ele um imortal? “De jeito nenhum”, rebate. “Nem que fosse convidado, que tivesse certeza da minha eleição. Imagina só, ter que sentar ao lado de José Sarney e Paulo Coelho.” Aliás, a dupla Sarney e Paulo Coelho é a vítima preferencial de Fernando Jorge - e olha que Paulo Coelho naquela época ainda não era membro da ABL.

 

O ex-presidente da República e atual presidente do Senado José Sarney é atacado na qualidade de seus poemas. “O Sarney tem um poema em que ele compara as estrelas com vacas! Eu até sugeri que os astronautas levassem capim nas próximas viagens espaciais”, fala o escritor.

 

Em relação a Paulo Coelho, Fernando Jorge é até mais ácido. O autor considera o Mago fruto do gosto por esoterismo e marketing e da ignorância dos leitores. “Quem lê Paulo Coelho não é leitor de bons livros.”

 

Jorge se deu ao trabalho de ‘decupar’ o livro O Demônio e a srta. Prym, de Paulo Coelho, e apontar seus erros de português. Na página 35 do livro de Coelho, por exemplo, existe o trecho “...começou a rezar para sua avó, morta a algum tempo atrás...” Jorge não perdoa: “A ideia do passado está bem presente no verbo haver, não sendo necessário, portanto, o uso do advérbio atrás”, escreveu. Jorge também destaca passagens como, “há muitos anos atrás...”; “há três anos atrás...” e “há milênios atrás” na obra do mago. O escritor ainda aponta erros de português nas obras de outros acadêmicos, como Nélida Piñon, Celso Furtado, Josué Montello, Múcio Leão, Levi Carneiro, Luiz Viana Filho e Marcos Vinicios Vilaça.

 

Apesar de toda a provocação, Jorge ainda não foi “desafiado” por nenhum membro da ABL. “Uma vez, eu estava no mesmo evento que o escritor e membro da academia Lêdo Ivo. Ele passou várias vezes por mim com uma cara ameaçadora, parecia até que estava querendo arrumar briga. Eu, que já fiz capoeira, já estava pronto para aplicar minhas técnicas.”

 

Além de comemorar os dez anos dessa bem-humorada provocação à academia, Fernando Jorge ainda está escrevendo um livro cujo título já diz muito: Se Não Fosse o Brasil, Jamais Barack Obama Teria Nascido. ).  

Entrevista 3

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GILBERTO AMENDOLA - JT - 08/07/2009

Entrevista 5