Escritor e Jornalista

Fernando Jorge

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Destaque no Correio

Braziliense - DF - Junho/2010

Copyright  2013 Fernando Jorge. Todos os direitos reservados.

Na imprensa

Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido

Em janeiro de 2009, Barack Hussein Obama II tornou-se o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América, país onde o preconceito racial sempre foi mais virulento que em qualquer outro sob o sol.

 

Empossado no cargo de maior poder executivo do mundo depois de este ter sido ocupado durante oito anos pelo corrupto e ultraconservador George W. Bush — que violou liberdades individuais dentro da terra do Tio Sam e direitos humanos fora dela, ensanguentou o Oriente Médio sob pretextos falsos com propósitos lucrativos escusos, e mergulhou o seu próprio país, o mais rico do planeta, numa das piores recessões econômicas de sua história — o jovem, brilhante e carismático senador negro e descendente de muçulmanos passou a encarnar as esperanças de boa parte de sua nação e do mundo, foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz e se tornou um símbolo de esperança, renovação e vitória das minorias sobre a opressão e o racismo, mas também alvo do ódio de reacionários furibundos, neonazistas e outros insanos defensores da supremacia branca.

 

Foi então, em meio a este idílio entre o novo presidente democrata norte-americano e o mundo civilizado, que Fernando Jorge, um dos autores mais polêmicos do Brasil, armado com a lente de aumento da observação, perspicácia e erudição esbanjadas em cada um dos seus vinte livros, conseguiu detectar num incidente prosaico na vida da mãe desse grande homem algo que havia escapado a todos os olhares: um vínculo inequívoco entre o Brasil e o nascimento de Obama, permitindo ao biógrafo definitivo de Olavo Bilac, Aleijadinho, Paulo Setúbal e outros brasileiros egrégios, conceber uma teoria absolutamente brilhante e inusitada, segundo a qual o 44 presidente dos Estados Unidos deve sua própria existência à arte e poesia brasileiras — fortemente influenciadas pela cultura negra —, sendo portanto um brasileiro em espírito, se não por nacionalidade.

 

Com tão revolucionária tese à guisa de fio condutor, este livro originalíssimo discorre não somente a respeito da origem e ascensão de Obama, mas também sobre os abusos sofridos pelos negros nos Estados Unidos e no Brasil, as relações por vezes tensas entre esses dois países, o filme Orfeu Negro, que teria fecundado a mãe branca de Obama, a obra do poeta Vinicius de Moraes, espécie de avô espiritual de Barack, as ameaças que pairam sobre a vida deste como uma espada de Dâmocles — ou mais precisamente da Ku Klux Klan — e diversos outros tópicos prenhes de informações inestimáveis sobre cultura, política, arte e história, brasileiras e estadunidenses.

 

Segundo a mitologia grega, Orfeu amansava as bestas e encantava os humanos com o som de sua lira. Se o pacificador Barack Obama pode ser visto como uma espécie de Orfeu negro, Fernando Jorge tem também procurado emular o semideus da Trácia no empenho incansável de arrancar seus compatriotas da barbárie, embalando-os com a música de sua prosa erudita e bem-humorada, ou ainda, a exemplo de outro semideus, travando combate aguerrido à hidra da imbecilidade, decepando-lhe as múltiplas cabeças da ignorância e do preconceito, mais titã que semideus, embora sempre inspirado pelas musas.

 

Paulo Schmidt

barack baixa Obama CB Arquivo PDF

Autor relaciona o filme brasileiro Orfeu Negro às origens do presidente dos EUA

Caderno C

 

Depois daquela sessão de cinema...

Bruno Ribeiro

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

bruno@rac.com.br

Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido. Esta é a tese defendida pelo jornalista e escritor Fernando Jorge no livro de mesmo nome que acaba de lançar pela editora Novo Século. Apesar do título algo exagerado e da divertida capa (que retrata o presidente americano dentro de uma Brasília amarela, tendo ao fundo o Cristo Redentor), trata-se de um livro a respeito da história do racismo nos Estados Unidos.

 

Fernando Jorge, cuja especialidade é se meter em discussões polêmicas e brigas acaloradas, afirma categórico que Vinicius de Moraes, poeta e diplomata brasileiro, teria sido “pai espiritual” de Barack Obama ao escrever a peça teatral Orfeu da Conceição, em 1956. “O cineasta Marcel Camus, inspirado nesta peça, fez o filme Orfeu Negro, que mudaria a vida da mãe de Obama, em 1959, e futuramente o destino de uma nação”, diz o autor, em entrevista por telefone ao Caderno C.

 

Segundo a teoria de Fernando Jorge, construída a partir da leitura de Sonhos de meu Pai, livro de memórias escrito por Obama, Stanley Ann Dunham era uma mulher completamente branca, criada num estado racista e que jamais havia tido contato com negros. “Ao sair do cinema, depois de assistir Orfeu Negro, suas primeiras palavras foram: ‘Nunca vi coisa mais linda em toda a minha vida’”, revela. Ela se referia não somente à belíssima história — a transposição do mito grego para uma favela carioca durante o Carnaval — mas ao ator Breno Mello, primeiro galã negro do cinema brasileiro.

 

Para Jorge, a mãe de Obama passaria a buscar, a partir desse dia, a beleza do ator em outros homens. Quando conheceu, numa universidade do Havaí, um jovem queniano de nome árabe, apaixonou-se e casou com ele. O autor reivindica para si a descoberta de um detalhe impressionante: a incrível semelhança física entre o brasileiro Breno Mello e o africano Barack Hussein Obama, pai do atual presidente americano. “Os dois são tão parecidos que chegam a se confundir como irmãos gêmeos”, afirma.

 

No início da década de 80, Stanley Ann conseguiu rever o filme, numa sessão especial realizada em Nova York. Obama, o filho, estava com ela. Apesar das belas cenas, como a do romper do sol na favela, e da trilha sonora repleta de sambas empolgantes e canções de Tom Jobim, Obama sentiu-se entediado e ameaçou retirar-se do cinema. Mas desistiu quando notou a expressão de encantamento da mãe diante da tela. “Só então compreendeu como ela, uma mulher tão branca, uniu-se ao seu pai, tão negro, tão africano”, defende o jornalista.

 

Ainda que soe excêntrica, a teoria de Fernando Jorge está amparada por uma série de evidências que a corroboram. Mais do que um livro sobre a contribuição do Brasil para a eleição do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, a obra é um tratado sobre as atrocidades cometidas pelo racismo na América. O primeiro capítulo, que fornece detalhes dos crimes cometidos contra os negros no século passado, é para estômagos fortes.

 

‘Freud concordaria comigo’, diz Fernando Jorge

 

“Talvez de modo inconsciente, a mãe de Obama passou a buscar a beleza do ator em outros homens”, afirma jornalista, que é autor de 20 livros

 

Fernando Jorge, integrante do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, é autor de 20 livros, dentre os quais as biografias O Aleijadinho (ganhadora do Prêmio Jabuti) e Getúlio Vargas e seu Tempo (ganhadora do Prêmio Clio). Vida e Obra do Plagiário Paulo Francis, de sua autoria, é apontado por ele como o responsável por “matar Francis de ataque cardíaco”, em 1997. Na entrevista que concedeu ao Caderno C, o escritor fala sobre seu novo livro e avalia o desempenho de Barack Obama à frente da presidência dos Estados Unidos.

 

Caderno C — Em seu novo livro, o senhor afirma que se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido. Por quê?

 

Fernando Jorge — Tive esta iluminação enquanto lia Sonhos de meu Pai, livro de memórias do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Durante a leitura, um fato me chamou a atenção: o filme Orfeu Negro, baseado na peça de teatro Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, havia mudado a vida de Stanley Ann Dunham, mãe de Obama. Ela era uma mulher branca e morava no Kansas, um dos estados mais racistas do país. Quando saiu da sala de projeção, estava completamente apaixonada pelo ator Breno Mello, que fazia Orfeu e foi o primeiro galã negro do cinema brasileiro. Desde então, talvez de modo inconsciente, ela passou a buscar a beleza do ator em outros homens, até conhecer Barack Hussein Obama, pai do futuro presidente, e se casar com ele. Fui o primeiro a perceber a incrível semelhança entre ele e Breno Mello, como atestam as fotos que coloquei no livro.

 

O senhor está dizendo que Stanley Ann Dunham se casou com Barack Hussein Obama por sua semelhança com o ator brasileiro?

 

É claro que não posso afirmar com todas as letras, mas acho que Freud concordaria comigo (risos). As primeiras palavras de Stanley Ann, ao sair do cinema, foram: “Nunca vi coisa mais linda em toda a minha vida”. É possível que ela não estivesse se referindo apenas ao filme, mas também ao personagem interpretado por Breno Mello, que era um homem realmente bonito, preto, atlético, elegante. Quando você vê uma foto do pai de Obama, enxerga imediatamente o ator brasileiro. São tão parecidos que chegam a se confundir como irmãos gêmeos.

 

O que o presidente Barack Obama diz sobre o filme Orfeu Negro?

 

No livro, conto um episódio interessante. Vinte anos depois, Stanley Ann descobriu que Orfeu Negro ia ser exibido novamente, em Nova Iorque, e convenceu o filho a acompanhá-la. Obama, a princípio, não gostou muito do filme e teve ímpetos de levantar e ir embora no meio da sessão. Porém, ao olhar para o rosto da mãe e notar o êxtase, o encantamento dela, resolveu ficar até o fim. Só então compreendeu como ela, uma mulher tão branca, uniu-se ao seu pai, tão negro, tão africano. É por isso que defendo a tese de que se não fosse Vinícius de Moraes e sua peça Orfeu da Conceição, Marcel Camus não teria feito o filme Orfeu Negro e Barack Obama jamais teria nascido.

 

Para o senhor, como uma sociedade tão racista como a norte-americana conseguiu eleger um homem negro para a presidência do país?

 

Os Estados Unidos estão cada vez mais parecidos com o Brasil no que diz respeito à sua formação populacional. Os americanos estão se miscigenando há algumas décadas, mas os efeitos estão sendo sentidos somente agora. Hoje, você anda nas ruas das grandes cidades e ouve as pessoas conversando em espanhol. A população de origem hispânica já é a maioria nos Estados Unidos. É natural que, numa sociedade mestiça, o negro comece a conquistar seu espaço, embora o racismo ainda persista na cabeça das pessoas.

 

O senhor reitera, várias vezes no livro, que Barack Obama poderá ser assassinado antes de cumprir seu mandato. De onde vem esta convicção?

 

Não sou profeta e nem desejo isso, mas há esse risco. A própria tradição política dos Estados Unidos o comprova: ao longo da história, quatro ou cinco presidentes americanos foram assassinados. E não podemos nos esquecer que a sociedade americana mais tradicional ainda é muito racista, em sua maioria. Grupos terroristas de extrema-direita, como o Nação Ariana, continuam atuantes. Quando Obama foi eleito, este grupo declarou que negros deveriam ser proibidos de ocupar cargos altos e que ele, Obama, deveria ser assassinado.

 

Após dois anos de governo, Obama ainda mantém o bloqueio à Cuba, pressiona por sanções ao Irã, age de forma complacente com as violações dos Direitos Humanos praticadas por Israel e tem decepcionado os eleitores que esperavam mudanças efetivas na diplomacia internacional dos EUA. Como o senhor avalia seu desempenho?

 

Fiquei muito feliz com sua eleição, pela carga simbólica contida nela, mas estou decepcionado com o seu desempenho até aqui. Obama tem sido mole e o resultado disso é o retorno do discurso conservador encampado por Hillary Clinton na Casa Branca. Mas nem tudo está perdido. A reforma da saúde, que ele conseguiu aprovar recentemente, foi um ganho tremendo para a sociedade americana. Além disso, Obama está copiando muita coisa do governo brasileiro em termos de política social. Ele próprio admitiu ter em Lula sua maior referência. Espero que consiga os mesmos resultados por lá. (Bruno Ribeiro/AAN)

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Destaque no Correio

Braziliense - DF - Março/2011

Arquivo PDF

"Uma das minhas primeiras impressões sobre o Brasil foi um filme que vi com a minha mãe quando eu era muito jovem. Foi o "Orfeu da Conceição", que tinha uma favela do Rio, durante o carnaval, como cenário. Minha mãe amou o filme, com as danças e cantos, o pano de fundo dos morros cariocas. E ele estreou como uma peça aqui no Teatro Municipal, pelo menos foi o que eu entendi pelo que me disseram.

Minha mãe, infelizmente, já se foi. Mas ela nunca imaginaria que a primeira viagem do filho dela para o Brasil seria como presidente dos EUA. Acho que ela nunca poderia imaginar uma coisa assim."

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Barack Obama, Presidente dos EUA - 20/03/2011 no Theatro Municipal

"Now, one of my earliest impressions of Brazil was a movie I saw with my mother as a very young child, a movie called Black Orpheus, that is set in the favelas of Rio during Carnival. And my mother loved that movie, with its singing and dancing against the backdrop of the beautiful green hills. And it first premiered as a play right here in Teatro Municipal. That's my understanding.

 

And my mother is gone now, but she would have never imagined that her son's first trip to Brazil would be as President of the United States. She would have never imagined that. "

Terceira edição

Editora Novo Século

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